A Origem das Linguagens de Patterns


Há muito estava na minha lista de livros para ler os livros do Christopher Alexander.

Para quem não conhece, ele é o arquiteto (não de TI, mas de arquitetura de casas, etc.) que influenciou a comunidade de TI com o conceito de linguagem de padrões.

O livro que escolhi para começar foi o “The Timeless Way of Building” – o primeiro de uma trilogia.

Para quem gosta de uma leitura Zen, este é o caso. Por exemplo, ele define uma “qualidade sem nome” que define uma boa arquitetura em contraste com uma má. Para ele, se entendi bem, uma boa arquitetura é algo que está viva, que potencializa o prazer de habitar, que está em equilíbrio com as forças (da natureza e/ou do homem), que permite ao homem ser ele mesmo porque nos deixa imunes a autocontradições. Esta “qualidade” é ao mesmo tempo precisa, mas sem nome, pois não se confunde com nenhuma qualidade próxima a ela (viva, completa, confortável, exata, sem ego e eterna).

O caminho dele na pesquisa desta “qualidade sem nome” o levou à procura de um padrão de eventos para qual a arquitetura deve servir. Comer, ler, passear, etc., todos são eventos que acontecem e que precisam de um ambiente. Este ambiente é construído por outros padrões de eventos (entrar/sair, sentar, iluminar, etc.) e estes por outros ainda menores. Não importam os objetos, mas sim a relação entre eles que, por sua vez realizam uma linguagem de padrões.

Assim, todo padrão está associado a um contexto de eventos em que ele faz sentido e, por sua vez, os padrões harmonizados junto a estes contextos permitem que nossas ações (eventos) aconteçam, dando vida ao ambiente e fazendo a arquitetura eterna.

Não conheço nenhuma construção projetada pelo Christopher Alexander que tenha tido impacto estético ou histórico. Aliás, do pouco que pude ver em fotos da internet, seus projetos são de medianos a medíocres.

Dizem ter sido um bom professor, um tanto o quanto contra a arquitetura moderna, e com uma importância hoje maior na arquitetura de TI do que na Arquitetura de fato. Mesmo o pensar o mundo através de relações não foi uma novidade de fato. Antes dele já existia, por exemplo, a ontologia de Wittgenstein, a Antropologia de Lévi-Strauss e a ciência da Ecologia (correlação de estruturas e eventos em um contexto, etc.).

Mesmo assim é um bom livro que nos leva a pensar e sonhar com uma arquitetura mais holística.

Vale a leitura.

Abraços


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