Arquitetura e sobrevivência – Winchester House


Por vezes a arquitetura de software é comparada com a arquitetura de casas, por outras com o urbanismo. Ambas são metáforas importantes para justificar o planejamento de um software ou infra-estrutura de TI antes da aventura de implementá-la.


Algumas vezes utilizei o contraste de uma favela perto do escritório da Microsoft em São Paulo em comparação às ricas construções da Av. Berrini.


 Foto: Isabela Noronha/G1(foto da Favela emprestada deste artigo)


Favelas costumam nascer sem planejamento e, aos poucos, surgem problemas comuns como a falta de vias públicas que viabilizem o transporte de cargas, a falta de infra-estrutura comum para água, esgoto ou luz e surge também o risco de incêndios, a dificuldade para realizar segurança, etc. O controle urbanístico nasce assim de uma necessidade de reuso de uma infra-estrutura comum e da certeza de que uma cidade cresce e deve se precaver antes, de modo a evitar o custo freqüente de re-engenharia para suportar os futuros carros, prédios, etc. Existe melhor metáfora para a necessidade de uma arquitetura de software ou emresarial?


Outro exemplo clássico, pouco conhecido no Brasil, é o da Winchester House. Imagine uma casa construída durante anos, mas sem o mínimo planejamento, isto é, sem a figura do arquiteto. O resultado? Uma casa com 160 quartos, 47 escadas de incêndio, 17 lareiras, 10000 janelas, muitas escadas (aonde muitas não vão a lugar nenhum, ou melhor, param no teto da casa), várias portas e armários falsos, outras portas que simplesmente dão para fora da casa, três elevadores, etc..


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É fato que existem dúvidas se não havia um certo plano em prática ali. Sarah, a viúva do criador do rifle Winchester, perdeu seu marido e filha, e lhe foi dito que havia uma maldição devido aos vários mortos em decorrência do invento de seu marido. Para amenizar a maldição, ela deveria construir uma casa para ela e os espíritos dos mortos. Ela viveria enquanto a casa estivesse em construção.


Hoje a casa é um exemplo clássico da falta de arquitetura e suas consequências. Ela é também um ponto turístico.


Um comentário que ouvi outro dia: ela não seria também uma metáfora do instinto de sobrevivência de alguns departamentos de TI?

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