Arquitetando sobre Arquitetura


Há algum tempo existe um debate sobre o que é arquitetura e que categorias de arquitetos existem. Outro tema, na sequencia, é o “como se tornar arquiteto?”.

Não sei se todos viram, mas saiu há pouco tempo um Journal de Arquitetura só sobre estes temas. Você pode encontrar aqui a versão em português e aqui a versão em inglês. Vale a leitura!

Como este blog é opinativo, vou tecer alguns comentários sobre estes temas:

  • Muitas definições focam a definição da arquitetura apenas na seleção dos elementos estruturais e sua composição. Percebo que muitos na nossa comunidade entendem com isto que um diagrama de camadas é mais que suficiente para definir os elementos estruturais de seu projeto – o que é, evidentemente, muito pouco. Como trabalhei na definição e implementação de frameworks e linguagens sei que isto não basta para muitos domínios. Exemplo: numa linguagem, a semântica de atribuição afeta a definição das formas de passagem de parâmetros, e não há caixinhas que nos ajudem a compreender esta interdependência.

    Outro problema que percebo nestas definições é que elas não delimitam as fronteiras que distinguem as definições que fazem os arquitetos das que fazem os desenvolvedores ou profissionais de TI. Daí gostar de uma definição mais abrangente que retirei do que entendi da leitura do livro do Martin Fowler. Minha interpretação ficou assim: arquitetura abrange toda definição que é melhor quando feita antes do início da implementação do projeto. Isto porque, se feita depois, o refactoring pode ser muito caro!

  • Quanto a “como se tornar arquiteto?”, bem... este é um tema mais complexo. Percebo que os melhores arquitetos que conheço têm excelente formação na Ciência da Computação, uma ampla vivência em projetos reais, capacidade de ir da abstração ao detalhe e muitas habilidades de negociação, liderança, etc. Podemos ensinar e aprender na escola muitos destes tópicos. Podemos aprender todos? O que vocês acham?
  • Por fim, é muito estranho perceber a pouca atenção que nós brasileiros damos à comunidade profissional e a sua formalização. Asia, Europa e América do Norte já têm institutos como o IASA bem estruturados e com muitos participantes. Infelizmente isto ainda não aconteceu aqui. Será que devido às nossas experiências passadas com CREAs e sindicatos não percebemos valor agregado? Será que precisaremos da obrigatoriedade de provas e certificados de arquitetura para que haja uma real necessidade para nos associarmos? Estranha a nossa cultura de compartilharmos opiniões em blogs (como este) e em sites de relacionamentos, mas não conseguirmos trabalhar em conjunto para estruturar e divulgar o conhecimento desta área tão nova e rica.

Vocês compartilham desta mesma opinião?

Comments (2)
  1. Alberto Fabiano says:

    Otávio,

       Há iniciativas de associações profissionais que fucionam bem – vide APyB e ISSA – onde a influência história do CREA nada afeta. Tenho minhas desconfianças, mas o porque o Chapter Brasil do IASA não decolou até agora, acho que é uma pergunta para o Phillip Calçado e para o Marcos Eliziário.

    Att.

    A.F.

Comments are closed.

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