business (UN)intelligence – De quem é a culpa?


Depois de ficar mais de doze horas no trabalho, cheguei ontem em casa querendo descansar minha cabeça e, para minha alegria, vejo que recebi uma notificação do Leão. Isso mesmo, caí na malha fina da Receita Federal! Meu primeiro pensamento foi: “Fiz alguma besteira! Logo eu, que sempre declaro tudo direitinho (e sou crítico de quem não faz), deixei passar alguma coisa que me colocou nessa posição delicada com o Leão!


Calma Luciano, vamos respirar e ver o que aconteceu…


Ano fiscal de 2004 (4 anos atrás!!! Tive que parar uns minutos para lembrar o que fiz naquele ano.) … Omiti da minha declaração XX.368,00 reais … IR + Multa + Juros acumulados de 4 anos … Caramba, quase 17.000 reais para pagar até o fim do mês (juros compostos e a cravada do Leão são incríveis quando combinados)!



Contei até 3274,387 e pensei naquele ano…


Tinha pedido demisão para conseguir me formar (estava trabalhando muito) e no meio do ano comecei a prestar serviço para um dos Ministérios. Lá eu recebia através de um organismo internacional em um projeto aprovado previamente, com orçamento para tal, etc. Peguei os recibos daquele ano e tudo declarado certinho, imposto pago corretamente, então de onde diabos tinha surgido aquele valor não declarado? Aí que eu começei a ficar bravo…


Eu declarei o valor XX.368,00 como sendo pago pelo CPNJ xxxxxxxxxxxxxx, referente a instituição AAAAAAAAAA.
A Receita disse que eu não havia declarado o valor XX.368,00 (nota: mesmo valor que eu declarei!), recebido da instituição de CNPJ yyyyyyyyyy (Ministério BBBBBBB) com mais uma linha informando também o nome do órgão AAAAAAAAAAAA (nota: mesmo nome do CNPJ que eu usei na declaração!). Isto é, trabalhei para B, mas recebi através de A.


O sistema da Receita provavelmente fez o cruzamento pelo CNPJ do Ministério (mesmo esse tendo informado que quem pagou foi o órgão AAAAAAAAAAAA) e simplesmente ignorou o fato do valor “omitido” ser EXATAMENTE o mesmo do que foi declarado e de haver uma relação direta com o nome do órgão na minha declaração e no que foi passado pela receita.


Entenderam? Dá vontade de sentar e chorar de raiva. Inteligente? Nem um pouco…



E agora, de quem é a culpa?


Na boa, acredito que o sistema da Receita é muito complexo e deve fazer milhares de cruzamentos diferentes para detectar fraudes, mas depois do que eu vi ontem, fiquei decepcionado. Será que não havia nenhuma algoritmo de mineração de dados (ou codificado com IFs) para classificar meu caso em uma categoria “para posterior análise por um ser humano”. Será que o sistema não percebe que é uma extrema coincidência eu haver declarado o MESMO VALOR que eles estavam dizendo que foi omitido, só que com um CNPJ diferente? Será que não dava para meu caso cair em uma fila e ser analisado por um ser humano? Aqui vejo dois problemas…


Cultura do nosso país: para cada um, pare e reflita sobre suas ações e seu relacionamento com a sociedade. Está colaborando ou não?


Computação: não me importa se foi usado software livre, Microsoft, Oracle, assembly, se foi um processo ágil, CMMI nível 38473473, se foi pair-programming, se tinha metodologia ou dinheiro para fazer isso. Novamente ressalto o que eu sempre digo: use o que quiser, mas por favor, estude o máximo que conseguir e tente fazer sempre o melhor, colaborando para que a tecnologia seja um aliando, não um obstáculo. Agora, se o problema está na falta de investimento e treinamento das pessoas (tanto da empresa, como da pessoa), voltamos para o item 1.


Nota: isso acontece somente com governo? Não! Quantas pessoas já não tiveram uma cobrança indevida da sua operadora de celuar? E do provedor de internet? Tenho casos de parentes bem próximos em que: um apareceu com uma linha telefônica (criada por telefone – nada de documentos) lá em BANGU para fazer ligações de dentro da cadeia, outra apareceu como um financiamento de quase 5000 reais em uma atacadista (sem nunca ter ido lá), e um amigo descobriu que tinha um escritório no meio de Goiás e também comprado uma Hilux, que beleza!
Se você faz tudo direitinho e acaba pagando o pato, que tal dedicar parte do seu tempo para ajudar a melhorarmos, como sociedade? Eu estou fazendo minha parte…



Hoje acordei indignado, já gastei algumas horas e ainda vou gastar outras tantas para resolver meu problema com o Leão. Preferia estar em casa vendo um filme com minha mulher…


[]s
Luciano Caixeta Moreira
luciano.moreira@microsoft.com
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Comments (4)

  1. Vladimir Michel B. Magalhães says:

    Puts Luciano, deve ser um saco mesmo isso.. com problemas de conta de telefone (que são bem comuns em nosso país) eu já tenho a maior dor de cabeça, imagina com o leão..

    Espero que consiga resolver tudo logo.

  2. Dobereiner says:

    Putz mano.. estamos com problemas parecidos…

    Caí na nhaca desta malha… um problema bem parecido, onde realizei alguns trabalhos e declarei sobre um cnpj, fora do cnpj que me pagou, no caso um cnpj próprio.

    Mandei a bomba para um parente que é juiz tentar entender e me explicar o caminho das pedras..

    Uma vergonha o sistema de análise da receita. Também concordo que sistemas devem ser pensados e arduamente estudados antes da implantação. O problema é que nós como outras pessoas, viramos vítimas de um sistema falho e nada preocupado em sanar seus problemas, mas sim preocupado em apenas autuar.

  3. David Leão says:

    DE QUEM É A CULPA?

    É DOS FISCAIS. Tudo é proibido (construir a beira de rios, mananciais, áreas de preservações, fabricar qualquer coisa fora das normas, vender algo que possa por em risco a vida). Enfim tudo merece e tem uma fiscalização.

    Mas os fiscais nada fazem, nos anos 70 tive um fiscal da Sabesp que veio, na Vila Mariana, num sobrado onde eu morava, averiguar se a água da chuva que caia no quintal ia para a rua ou para o esgoto. O proprietário foi notificado e teve de mandar arrumar, quebrando o quintal, a cozinha, a sala e o jardim, fazer uma valeta no meio do sobrado com mais de 30 anos, para levar a água para a rua. Enquanto isso algumas casas eram construídas as margens do lado contrário do Centro Campestre  do Sesc em Interlagos. Hoje é quase uma cidade, e nenhum fiscal foi lá impedir ou embargar essas obras.

    E assim vai, existem fiscais, mas poucos deles são competentes ou honrados para seguir as regras em qualquer área da sociedade.

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