Roberto Prado comenta as tendências em tecnologia da informação para 2009


Não é de hoje que a interoperabilidade se multiplica mais e mais na vida de desenvolvedores, usuários, empresários e profissionais de TI. Diferentes linguagens de programação e seus criadores têm, a cada dia, se adaptado à tendência de integração, de modo que permitam às suas soluções maior capacidade de interoperar com os mais variados sistemas disponíveis no mercado. O nascimento de novos softwares e serviços prontos para interagir e, claro, interoperar entre si, possibilita a conexão de programas e aplicações, especialmente quando estes são desenvolvidos usando diferentes linguagens, ferramentas ou plataformas. Mais do que isso: além dessa interoperabilidade acontecer entre os mais variados softwares – servidores, bancos de dados – agora essa tendência alcança a nuvem de serviços na Web.


 


Segundo o instituto de pesquisa Gartner Group, "um web service (WS) representa uma função de negócio ou um serviço que pode ser acessado por outra aplicação, sobre redes públicas e, geralmente, disponibilizado por protocolos conhecidos”. Essência da interoperabilidade, os WS utilizam arquitetura da internet baseada em padrões abertos, como o XML e SOAP, como tecnologia-chave para seu desenvolvimento, por conta de seu potencial de implementação e integração. Isso porque, com a portabilidade do XML é possível encontrarmos aplicações trocando informações com plataformas diferentes, como Java e .NET. Ou seja, é na camada de rede via HTTP que eles se comunicam. Portanto, um programa feito em uma linguagem precisa apenas entender um arquivo XML para se conectar a um WS feito em outra linguagem. Assim, o ambiente criado é capaz de unir a funcionalidade de aplicações já existentes de diversas plataformas.


 


Os Web Services podem ser utilizados para diversos fins, desde criar novas aplicações baseadas em componentes de sistemas legados, serviços online para consulta de cotações da bolsa, aplicações para consulta de entrega dos correios, ou para um sistema remoto de registro de horas no ponto ou até criar um sistema de chat, com um programa cliente que conversa com uma aplicação no servidor responsável por registrar as mensagens de todos participantes.


 


De acordo com a agência de pesquisa Netcraft, do total de mais de 181 milhões de sites pesquisados, 4,5 milhões foram adquiridos no mês de setembro e 75% deles utilizam Apache. Parte desses sites está hospedada no ThePlanet.com, que, sozinho, totaliza um crescimento de 2.6 milhões de sites. Já o SmugMug contribui com mais de 18 milhões de sites Apache, de acordo com a agência. Neste estudo, a Netcraft totalizou a presença da Apache em mais de 91 milhões de sites, o que representa um market share de 50,43%. O crescimento da comunidade Apache é algo esperado e até mesmo incentivado por outros desenvolvedores do mercado de TI, já que o grande beneficiário dessa interoperabilidade é o próprio usuário.


 


A Microsoft há três meses reforçou seu compromisso em melhorar a conectividade entre as pessoas, redes e ambientes de tecnologia com uma série de ações voltadas para a colaboração com as comunidades de código aberto. Entre elas, a empresa anunciou o suporte técnico e financeiro à Apache Software Foundation - entidade que oferece suporte a projetos de software da comunidade Apache – para aumentar a interoperabilidade entre os sistemas de software aberto e as tecnologias Microsoft, incentivando o desenvolvimento cooperado dessas tecnologias.


 


Ainda relacionado à colaboração, a companhia também tem apoiado diversos projetos relacionados a código aberto. Um dos mais notórios é o Zend, no qual o trabalho conjunto permitiu a otimização da linguagem PHP rodando sob o Windows Server 2008. A Microsoft ainda disponibilizou o ADOdb, que permite aplicações desenvolvidas em PHP acessarem nativamente o SQL Server, que é o banco de dados da Microsoft, e disponibilizou a documentação de mais de 100 protocolos utilizados na interoperabilidade entre as versões servidor e cliente do Windows. A utilização do PHP na construção de websites tem crescido nos últimos anos e representa hoje uma das principais ferramentas para esta finalidade. Esse sucesso se dá por várias razões, dentre as quais destaque para a sua fácil utilização e a ampla comunidade que oferece muitos recursos que apóiam o desenvolvedor. Além disso, o PHP é uma linguagem independente de plataforma, isto é, pode ser utilizado em ambiente Microsoft Windows ou Linux. Com isso, nasce uma nova facilidade para o usuário corporativo, que passa a contar com mais uma opção de desenvolvimento de serviços na web, compondo a visão de software + serviço, ou seja, a combinação entre o que existe de software nas máquinas e serviço nas nuvens.


 


A companhia acredita nessa combinação para a próxima geração de TI e tem como objetivo possibilitar que as pessoas possam tirar o melhor proveito dos softwares, da conexão entre dispositivos e da evolução da Web. O objetivo é maximizar o que há de melhor nos dois mundos, software e serviços, de forma integrada, possibilitando mais escolha e flexibilidade para os clientes. Ou seja, o poder do software local, seja instalado em um celular, desktop ou servidor, combinado com o poder dos serviços, sempre atualizados e de forma colaborativa, disponível por meio da internet, compõe uma melhor solução do que abordagens isoladas com foco somente em serviços ou apenas no software. Com esta integração, o usuário é o maior beneficiado, pois passa a contar com experiências mais ricas e transparentes, online ou offline, a partir de múltiplos dispositivos, possibilitando aumentar a colaboração e conexão por meio das redes sociais e crescer a integração das aplicações hospedadas no PC, na Web, ou nos servidores de uma empresa.


 


No Brasil, empresas como IG, UOL e Locaweb, que são fornecedores de infra-estrutura para internet, entregam hoje servidor Windows a custo acessível, até mais do que se hospedado em servidor Linux. Dessa forma, a empresa-cliente pode ter o que há de mais moderno sem custo adicional e com menos preocupações e mais opções de escolha, sem precisar alterar sua plataforma de desenvolvimento ou, ainda, ficar apegado a ela no momento de hospedar o seu site. Esse é apenas um exemplo simples de que as empresas não mais precisarão se preocupar com todo o processo vertical de concepção de aplicações, mas sim em estabelecer parcerias a fim de encontrar os melhores WS para comporem sua aplicação. Isso implica em mudanças nas relações, na cultura organizacional e no processo de concepção de software. Novas oportunidades surgem e lógicas de negócio de aplicações legadas são preservadas e integradas a novos ambientes e plataformas de desenvolvimento. É isso ou perder mercado para a concorrência que já estiver com os dois pés na era da integração!


 


* Roberto Prado é gerente de estratégias de mercado da Microsoft Brasil.


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