Cauda longa, SaaS e Neo-tribalização – Exemplo


Boa noite a todos !

Cauda longa

Para quem está atuando ou estudando o mercado de SaaS, S+S, provavelmente já esbarrou com o termo Cauda Longa. O editor chefe da revista Wired, Chris Anderson, realizou um estudo detalhado sobre o efeito da convergência digital e Internet sobre os mercados de consumo, e concluiu que os rompimentos de barreiras físicas/virtuais gerou novas ofertas de produtos/serviços, permitindo assim aos consumidores experimentarem estas novas ofertas, que até então não existiam ou simplesmente não eram prioritárias no processo de decisão da produção. Este movimento de experimentação, permitiu que novos mercados surgissem, mas ao contrário dos mercados tradicionais (larga escala), estes novos mercados são de nichos, especializados e de pequeno volume. Alguns estudos antropológicos realizados, dizem que está aglutinação de pessoas ao redor de interesses comuns em ofertas de de produtos/serviços especializadas, pode ser chamado de “Neo-tribalização”.

Cauda longa

Esta “Neo-tribalização” pode ser vista claramente como funciona estes mercados especializados, eles possuem duas características que gostaria de esclarecer: em primeiro lugar estes os mercados especializados não não possuem o mesmo tamanho do que os mercados tradicionais de larga escala, em segundo lugar, cada mercado especializado apesar de pertencer a uma mesma categoria genérica, possuem características individualmente únicas. Vamos a um exemplo? Desde que o Napster criou a capacidade de troca (não vou me prender sobre os assuntos de Copyrights) de arquivos MP3 entre pessoas, o mercado fonográfico sofreu mudanças comportamentais. Apesar que todos nós consumimos músicas pela Web, um fato é que as nossas preferências nos tornam exclusivos e únicos, podemos observar o surgimento de grupos de interesse ao redor de pequenos temas musicas, tais como: grupos que gostam de músicas dos anos 70, grupos que só gostam de trilhas sonoras, grupos que gostam de debater sobre a sonoridade das notas musicas em músicas clássicas e assim por diante. Veja, todos coletivamente pertencemos ao grupo consumidores de música, mas os nossos interesses nos tornam individualmente diferentes, que em mercado gigante, podemos ter similaridades de gostos com outros indivíduos.

Os comportamentos de exclusividade, personalização e ao mesmo economia de escala já ultrapassaram a linha antropológica e atingiram o capitalismo. O próprio surgimento de redes sociais na Web é uma demonstração que todos queremos nos conectar, mas mantendo a nossa indivualidade. Outro exemplo, é surgimento de mecanismos de buscas especializados (vertical engines search), que permitem realizar buscas apenas em blogs, imagens, notícias. Até mesmo grupos de sites voltados a busca por carros genericamente, carros de luxos, ou de imóveis e assim por diante.

E para nós arquitetos, desenvolvedores, o que nos afeta? A cauda longa pode nos afetar em vários aspectos, um que sempre vem à minha mente é o equilíbrio na relação “Projetar um Software que seja genérico suficientemente para aceitar várias entradas X permite a personalização em níveis detalhados”. O que tenho visto é que as nossas soluções procuram um comportamento auto-ajustáveis (crescer e se adequar), mas que tenham processos automatizados de customizações, permite gerar pequenas versões para cada mercado, mas compartilhando um ambiente em comum. Estas tendências vêem de encontro às idéias SaaS (Software as a Service) , S+S (Software + Services). Para facilitar o entendimento, vamos pegar um exemplo que foi desenvolvido pelo nosso time de P&P. Mas antes de falar sobre o nosso exemplo, segue abaixo uma palestra do Chris Anderson sobre Cauda Longa.

Exemplo de uma aplicação SaaS para Cauda Longa

LitwareHR_thumb4

Nós sabemos que várias empresas tem espaços para publicação de currículos nos seus sites. Em teoria, a grande maioria desenvolve pequenas soluções, por exemplo, formulários html, ou endereços de e-mail para que um remetente possa encaminhar. Neste cenário, temos um exemplo de mercado especializado, que poderia ser resumido em: empresas que com sites pequenos, e querem utilizar a internet com plataforma de coleta de talentos, as grandes normalmente tem suas próprias infra-estruturas de TI para cuidar disto.

O nosso time P&P desenvolveu o projeto LitewareHR, ele consiste de um website que permite a qualquer um se cadastrar e provisionar um ambiente customizado para receber currículos. Está característica de criar um ambiente customizado é chamado de Multi-inquilino (Multitenant), ou seja, cada “inquilino” terá a sua própria versão, com as customizações que julgar importantes e tudo rodará no mesmo ambiente computacional.

Então, que características da cauda longa conseguimos ver no exemplo acima?

  1. Identificação de um mercado especializado
  2. Utilização de ferramentas tecnológicas que tem um plataforma em comum gerando um ganho de escala, mas que ao mesmo tempo eu dou aos meus clientes o poder de escolha e personalização.

Além destes pontos de personalização X escala, existem outros pontos que devemos considerar:

  1. Como “faturar” em cima do modelo personalização X escala?
  2. Quais pontos da minha arquitetura de banco de dados preciso ter atenção para atender o desejo de personalização?
  3. Qual é a taxa escalabilidade necessária para esta aplicação? Como estruturar minha aplicação para que suporte o crescimento adequado neste mercado de nicho, mas que ao mesmo tempo é desconhecido das estatísticas tradicionais?

No Link http://files.skyscrapr.net/users/saas/sampleApp/Videos/LitwareDemo.wmv é possível ver uma demonstração do LitewareHR funcionando.

Conclusão

A internet e convergência digital vem interligando o mundo e criando novas experiências para os nossos clientes e consumidores. E uma delas é a cauda longa, que fez surgir mercados de interesses específicos. Podemos utilizar a Tecnologia da Informação como ferramenta para providenciar serviços que tenham economia de escala e ao mesmo possam disponibilizar recursos de personalização.

Momentos de reflexão

  1. Hoje, quando eu estou concebendo a minha aplicação, estou visualizando que mercados? Os tradicionais que já atendo? Ou os futuros mercados especializados?
  2. Se eu for para uma abordagem SaaS, quais os modelos de faturamento que posso empregar para financiar a operação?
  3. Como eu estruturo a minha arquitetura para atender as demandas de crescimento X personalização de conteúdo X modelo de negócios SaaS?

abs
Condé

Versão 1.0

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